domingo, 22 de novembro de 2009

Uma crônica...

Verso apaixonante

Eu passava tranquilamente pala rua. Era cedo e o comércio abria suas portas. O movimento não era tão grande. Estava perdida em meus pensamentos, que se misturavam, como se pedisse atenção, todos ao mesmo tempo. Nem sequer percebia quem passava por mim: era um oi apagado aqui, um bom dia dali, um sorrisinho de cá... Realmente estava longe e parecia que nada poderia atrair-me a atenção.
Somente parecia, pois existia algo capaz, que foi exatamente o que me atraiu: a música.
Foi como um raio que corta o céu: de repente, assim, do nada, ouvi um verso, um único verso, de uma música há muito por mim admirada: “Eu quero te roubar pra mim, eu que não sei pedir nada...” e foi exatamente o que ele fez: me roubou completamente.
Naquele momento, me senti imensamente feliz e apaixonada. Apaixonada pela música! Não só por aquela, mas por muitas. Meu pensamento se voltou completamente e comecei a cantar silenciosamente no íntimo do meu coração. E todo o meu sentimento começou a transbordar em minha alma, todo em forma de música.
E aquilo era paixão. Eu sabia, eu sentia. Aquele simples verso (que ousadia chamá-lo simples) transformou-me completamente. Lembrei-me da infância com suas canções, das primeiras vozes que gostei de ouvir... Tudo me veio a cabeça e me senti leve, parecia flutuar.
Tinha certeza: nada mais poderia ser, senão paixão. Paixão pela letra, pela voz, pelo som... Paixão por mim na música e, principalmente, pela música em mim.
Aquele foi um momento mágico, único. E tive o luxo de tê-lo somente para mim. De guardá-lo na memória e, agora, nessas linhas. Sei que ele será eterno, pela descrição, tão perfeita, de Drummond: “Eterno, é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade que em mim se petrifica...”



Fiz há alguns meses e ela quer dizer muito pra mim...

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